Novas concessões de pedágio podem atingir a base da economia no Oeste do Paraná

Os atuais contratos dos pedágios no Paraná terminam em novembro de 2021 e preveem concessões pelo prazo de 30 anos

Catve
Divulgação (Foto: Catve)

As novas concessões de pedágio no Paraná têm sido motivo de preocupação a quem utiliza vias terrestres para o transporte de mercadorias. Os valores atualmente cobrados impactam nos preços ao consumidor final e geram incertezas a pequenos produtores da região.

Em 2021, das 27 praças de pedágio existentes no Estado, quatro estão localizadas em municípios do Oeste - Cascavel, Corbélia, Céu Azul e São Miguel do Iguaçu. A nova modelagem de concessão de rodovias prevê a instalação de 15 novas praças, totalizando 42 no Paraná. A polêmica criação do pedágio entre Cascavel e Toledo gerou temores aos comerciantes que trafegam no trecho, visto que os custos com despesas logísticas encarecem a produção e reduzem os lucros.

Para o professor Carlos Alberto Piacenti, doutor em economia, quanto mais altos os valores cobrados em rodovias pedagiadas, maior a perda de competitividade no mercado interno. O economista enfatizou que é fundamental o equilíbrio entre os preços praticados nas praças de pedágio e a qualidade das rodovias ofertadas aos contribuintes.

Piacenti destacou que governos anteriores erraram ao limitarem melhorias nas vias, a exemplo das duplicações, como justificativa para o ajuste mínimo nas tarifas dos pedágios - fato que penalizou os usuários ao longo dos anos. A fim de ser mais justo, a isenção do pagamento de pedágios a quem exerce atividade comercial entre municípios próximos seria uma alternativa viável. "Boa parcela dos pequenos produtores atua com vendas de forma direta ao consumidor. Desse modo, eles têm que incorporar os custos ao produto, o que faz perder competitividade e renda", acrescentou o especialista.

De acordo com a Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), apesar de praticar um dos pedágios mais caros do país, o Paraná apresentou, nos últimos doze meses, aumento no fluxo de veículos em rodovias pedagiadas - sendo 8,2% no fluxo de veículos pesados e 4,3% no de veículos leves. Os crescentes números apontam a importância da malha viária na economia do Estado.

Impacto na renda

Wanderlei Marmith, empresário em atuação na região Oeste no ramo de cestas básicas há pelo menos 11 anos, foi diretamente afetado pelos valores cobrados nos pedágios. Para ele, os altos impostos reduziram a margem de lucro da empresa. Com o período pandêmico, que agravou a crise no setor, Wanderlei precisou demitir oito dos onze funcionários para ajustar despesas e evitar falência. "Foram dias muito difíceis por ter de mandar funcionários embora, pais de família que hoje estão desempregados. Passei noites sem dormir, desesperado pensando neles. Mas, infelizmente, tem que tocar a vida. Afinal, empresa não foi feita pra gente fraca. É pra quem é forte!", destacou o empregador.

Apesar da crise, Wanderlei Marmith tem esperanças de que, com o pedágio mais justo e políticas públicas que favoreçam os cidadãos, a economia volte a dar bons resultados. "Acreditamos no Brasil e nos políticos que foram escolhidos para representarem o povo", reiterou o empresário.

Roseli Fátima Garlet Becker é moradora de Sede Alvorada, distrito de Cascavel. Há 56 anos, as tradições da família se mantêm na lida com aviário, gado de leite, lavoura e na fabricação de geleias. Pelo menos quatro dias na semana, Roseli se utiliza da rodovia BR 467 para se deslocar e vender os produtos no município cascavelense. "A implantação de pedágio no trecho seria mais justa caso os trabalhadores que vivem do comércio autônomo em cidades vizinhas tivessem trânsito isento de tarifa, evitando, assim, o repasse de mais despesas ao consumidor final", ressaltou Roseli.

A produtora de queijos, Simone Rigo Garlet, explicou que os custos dos insumos, desde a fabricação dos produtos até a venda, aumentaram, ao passo que os lucros diminuíram. Ainda assim, Simone acredita na retomada da economia e na expectativa de um pedágio mais justo no Oeste paranaense. "A gente sempre acorda com a esperança de dias melhores nos momentos de incertezas", disse a pequena produtora.

Conforme análise de Carlos Piacenti, a cobrança de tributos apenas para manutenção das rodovias minimizaria prejuízos à renda dos trabalhadores. "havendo pedágio, o tratamento deveria ser diferenciado para esses pequenos produtores ", finalizou o economista.

Os atuais contratos dos pedágios no Paraná terminam em novembro de 2021 e preveem concessões pelo prazo de 30 anos.

Fonte Catve

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